APLAUDIR OU NÃO APLAUDIR?

By 8 de abril de 2016Palavra do Maestro

Eis a questão.

 

O aplauso significa o sucesso de uma apresentação. Forma pela qual o público expressa seu apreço pelo o que acabou de fruir. Momento privilegiado em que o espectador escancara sua participação em um espetáculo, como um sujeito ativo no processo de comunicar a arte por meio de suas diversas linguagens.

Para o artista, o aplauso é a ambição maior e cobiçado prêmio que jamais poderia deixar de desejar. A cada palma a renovação mágica de seu compromisso e paixão com o caminho e objeto que decidiu tomar como seu: a arte.

Aplaudir ou não aplaudir?

Quando o assunto é música erudita, é natural que algumas pessoas se perguntem qual o momento certo de aplaudir. O tema suscita algumas observações e apontamentos importantes.

No gênero ópera, por exemplo, é muito comum que o público se manifeste após a performance de um solista, ou a execução de uma passagem consagrada como “Fígaro”, Ária da ópera O Barbeiro de Sevilha, obra prima de Rossini (1792 -1868).

No classicismo, período que na música de concerto se inicia na segunda metade do século XVIII, indo até a primeira do século XIX, era comum que a plateia se manifestasse durante a execução de uma música. Mozart (1756 – 1791), em uma das célebres cartas a seu pai, conta que em determinados compassos de uma de suas composições escreveu uma figura musical com o objetivo de que o público, após ouvi-la, se manifestasse com aplausos.

Já nos dias atuais, convencionou-se a aplaudir as apresentações de uma orquestra após a execução de todos os movimentos que compõe uma peça e/ou um concerto. Algumas pessoas comentam que bater palmas entre movimentos tira a concentração dos músicos. Para outras, esse tipo de intervenção do público quebraria a sequência histórica de uma peça e dificultaria o processo de sua fruição.

Mas, caso você se esqueça e aplauda a orquestra entre os movimentos, não tem problema. Lembre-se que, em todo o caso, o aplauso é o maior prêmio de um artista.

Uma curiosidade

Em 2010, o tenor espanhol Plácido Domingo bateu o recorde de aplauso mais longo da história, sendo ovacionado, de pé, por mais de 25 minutos, após um espetáculo. O violonista e cantor João Gilberto esteve perto de quebrar este recorde, em Tóquio, quando os japoneses o aplaudiram por cerca de 25 minutos ao final de uma apresentação.

Maestro Rodrigo Toffolo

Foto: Naty Torres.

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