AS 7 ÚLTIMAS PALAVRAS DE CRISTO NA CRUZ

By 18 de março de 2016Palavra do Maestro

Concertos em Ouro Preto e Belo Horizonte abrem temporada 2016.

O Renascimento italiano produziu grandes transformações na cultura ocidental e na forma de o homem enxergar o mundo, inaugurando uma nova maneira de nos relacionarmos com Deus: humanizou o divino, ao trazer Deus para perto dos homens.

Humanizar o divino passa por enxergar Deus nas coisas do cotidiano, no dia a dia do homem comum como ser social e cultural. Oposto, portanto, da ideia de divinizar o homem para nos aproximarmos de Deus, forma esta que se dá por outros caminhos, como o da oração e da penitência.

Muitos foram os pensadores que humanizaram o divino. Einstein (1879 – 1955), por exemplo, ao ser questionado se acreditava em Deus, argumentou que sim, porém no Deus do filósofo holandês Spinoza (1632 – 1677), um Deus “que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe”.

Igualmente, vários artistas humanizaram o Divino em suas obras. As pinturas que retratam a Virgem Maria amamentando o menino Jesus e as faces das esculturas e imagens do mestre Aleijadinho (1730 – 1814) são alguns exemplos.

No cinema, o ensaístas e diretor italiano Pier Paolo Pasolini (1922 – 1975) discute a humanização do divino em O Evangelho Segundo São Mateus (1964). No filme, um dos marcos do neorrealismo italiano, Pasolini discute questões políticas, de cunho social, com um elenco inteiramente formado por atores inexperientes e amadores, como o estudante Enrique Irazoqui, interpretando Jesus Cristo, e uma pequena participação de Giorgio Agamben, à época com 22 anos. Hoje, um dos mais influentes filósofos da atualidade.

O mesmo pode se dizer de O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1992), do escritor português José Saramago (1922 – 2010), que retrata, em seu livro, um Jesus questionador, passível de riso, choro e, como qualquer pessoa, de se apaixonar.

As 7 Últimas Palavras de Cristo na Cruz
Abrindo nossa temporada artística, apresentaremos As 7 Últimas Palavras de Cristo na Cruz, J. Haydn (1732 -1809), obra que também se fundamente sob a perspectiva de humanização do divino.

A genialidade do compositor austríaco encontra-se no fato de mesclar tragédia e melancolia à uma atmosfera sublime e misericordiosa, ao demonstrar a natureza humana de Jesus e divina do Cristo – Homem e Deus em um só corpo. Haydn inova, apresentando a paixão de Cristo por um caminho meditativo, de amor e leveza, simbolismo complexo de ser retratado, tendo como referência uma temática tão forte.

O compositor austríaco escreveu As 7 Últimas Palavras sob encomenda do Arcebispo de Cadiz, para a Sexta-feira da Paixão de 1785. Dotada de um forte apelo imagético, Haydn reconstrói, musicalmente, as últimas palavras de Jesus Cristo, através de sete movimentos, acrescidos de uma Introdução e um Presto. Este último, faz referência ao terremoto que, segundo o evangelho de Mateus, procedeu a morte de Cristo.

Na versão que apresentaremos, a Orquestra Ouro Preto convida a atriz Inês Peixoto, do Grupo Galpão. Inês interpreta a evangelista na leitura das palavras que precedem os movimentos, remetendo à figura de Maria Madalena, em cenas montadas especialmente para os concertos.

Tenham um bom concerto!

Maestro Rodrigo Toffolo

Agenda:
Ouro Preto
Dia: 22 de Março
Horário: 20h30
Local: Igreja de Nossa Senhora do Carmo
Entrada Franca – Sem Distribuição de Senhas

Belo Horizonte
Dia 23 de Março
Horário: 20h30
Local: Fundação de Educação Artística
Entrada Franca (Haverá distribuição de senhas, uma hora antes do concerto)
Informações: (31) – 3224 1744

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