Série Distritos – Escutando a História de Ouro Preto

By 25 de agosto de 2015Sem categoria

 

Para além da geografia urbana, os distritos são a extensão da própria história da cidade sede.  A identificação da população com a história de Ouro Preto foi notável, na 9ª edição da série Orquestra nos Distritos, que aconteceu no último mês de Julho.

Durante os cinco dias de apresentação, o espetáculo “Entre sinos, tambores e amores ou Um causo para várias melodias” – projeto em parceria com a Estandarte Cia. de Teatro – promoveu um exercício contínuo de escuta. Em todos os lugares visitados, cada qual ao seu modo, os moradores pararam para ouvir Ouro Preto. Escutaram a própria história, contada por um enredo orquestrado.

O ponto de partida foi o distrito de Chapada. No repertório havia Marchinhas de Carnaval, Dobrado Dois Corações, Marcha Fúnebre, Incelença pro amor retirante e Saudade de Ouro Preto.  No roteiro um conto, alguns causos.

Se o que ali foi narrado é verdade – ou não – importância pouco tem. Aquele lugar do imaginário, onde tudo cabe e nada se explica, é hoje parte da identidade cultural da cidade. Nessa viagem entre o mundo real e a literatura ocorreram algumas participações especiais. No vocal, Santo Antônio do Salto, que cantou em coro o pout pourri das marchinhas, com direito a bis.  Teve também coreografia inédita em Engenheiro Corrêa. E imagine só, até o maestro virou platéia em Miguel Burnier.

Nem o frio – às vezes inconstante – desafinou o enredo. Marília Dorotéia arrancou risos em sua aparição, e foi digna de compaixão junto ao seu amado, quando sua trajetória, depois de muito tempo, resolveu contar. Ah! Filhos, netos e bisnetos, e por responsabilidade deles, essa história teve um final feliz.

E com uma delicadeza imponente, o projeto que tinha por intuito recontar Ouro Preto cumpriu seu papel. Igrejas cheias e estonteantes sorrisos deram ares de dever cumprido. E o que tem essa Orquestra de diferente das demais? “Ela vai onde povo está. O grupo que se apresentou no Palácio das Artes e em Liverpool, é mesmo grupo que apresentou em Olhos D’água, um município quilombola em Bocaiuva, com os violeiros daquela região. Ela sai dos grandes centros e cria plateias em diferentes lugares.” – foi o que me contou Guilherme Carvalho, representante da Petrobras.

E foi em Santa Rita, com alguns causos e várias melodias que a Orquestra Ouro Preto se despediu dos distritos em 2013. Ano que vem tem mais. Voltamos para uma visita, um café quente, um bolo e para mais uma edição da série Orquestra nos Distritos.

Série Orquestra nos Distritos

A Série Orquestra nos Distritos reúne apresentações nos 12 distritos do extenso município de Ouro Preto, visando a formação de público e a democratização do acesso à música clássica. Para tal fim, semestralmente, a Orquestra Ouro Preto tem encontro marcado com as comunidades distritais entre os meses de julho e dezembro.

 

Os concertos têm caráter artístico-pedagógico fundamentado na inserção cultural das comunidades dos distritos da cidade sede, resultado da parceria da Orquestra com a Prefeitura Municipal e a Câmara Municipal de Ouro Preto.

Texto: Lídia Ferreira

Foto: Naty Tôrres

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