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História de Ouro Preto

Orquestra Ouro Preto e Alceu Valença preparam lançamento de DVD

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Naquele concerto, em Ouro Preto, o maestro fez a “anunciação”. A praça virou coro. Tiradentes assistiu de camarote. A notícia correu as ladeiras e montanhas. A hora está chegando e na gravadora os últimos acertos são feitos. Valencianas concretiza a união da música erudita e da música popular em DVD.

Depois de se apresentar em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Ouro Preto, Alceu Valença e a Orquestra Ouro Preto dão corpo ao trabalho que teve início em 2010. Previsto para outubro, o lançamento nacional de Valencianas em DVD desperta grandes expectativas. “São as melhores possíveis. Valencianas é para todas as idades, de censura livre, para uso contínuo e sem restrições”, comenta o maestro da Orquestra Ouro Preto Rodrigo Toffolo.

O registro foi feito no Grande Teatro Palácio das Artes, em Belo Horizonte, no mês de novembro de 2012. O cenário elegido para a gravação foi pensado pela mística do teatro e pela “mineiridade” da capital. As músicas que embalaram o público dos concertos de Valencianas ganham, neste ano, planejamento gráfico e tratamento de estúdio para o material. Para refrescar a memória, alguns dos clássicos gravados são La Belle Du Jour, Coração Bobo, Tropicana, Anunciação e Porto da Saudade.

O espetáculo nasceu em 2010, quando o editor Paulo Rogério Lage apresentou o maestro Rodrigo e Alceu Valença.  A inspiração foi o universo armorial e a brasilidade inerente à obra de Alceu Valença, mescladas à música de concerto, assim como rege a proposta do projeto. O maestro Rodrigo afirma que Valencianas se difere de tudo que já foi pensado, para além de um público-alvo: “Nas Valencianas a Orquestra é o carro chefe e Alceu um solista que canta a frente da Orquestra – uma proposta que inverte as prioridades e, com isso, se torna única”. O nome do espetáculo vai de encontro com a visão de Paulo Rogério, criador do nome que descreve todo o universo artístico das composições de Alceu.

Valencianas é polifônico, criado por várias cabeças, incorporado por diferentes instrumentos, filho de culturas irmãs e apreciado nacionalmente. Novidades sobre o lançamento você encontra em breve aqui, em nosso site.

Texto: Íris Zanetti

Foto: Naty Tôrres

 

 

Série Distritos – Escutando a História de Ouro Preto

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Para além da geografia urbana, os distritos são a extensão da própria história da cidade sede.  A identificação da população com a história de Ouro Preto foi notável, na 9ª edição da série Orquestra nos Distritos, que aconteceu no último mês de Julho.

Durante os cinco dias de apresentação, o espetáculo “Entre sinos, tambores e amores ou Um causo para várias melodias” – projeto em parceria com a Estandarte Cia. de Teatro – promoveu um exercício contínuo de escuta. Em todos os lugares visitados, cada qual ao seu modo, os moradores pararam para ouvir Ouro Preto. Escutaram a própria história, contada por um enredo orquestrado.

O ponto de partida foi o distrito de Chapada. No repertório havia Marchinhas de Carnaval, Dobrado Dois Corações, Marcha Fúnebre, Incelença pro amor retirante e Saudade de Ouro Preto.  No roteiro um conto, alguns causos.

Se o que ali foi narrado é verdade – ou não – importância pouco tem. Aquele lugar do imaginário, onde tudo cabe e nada se explica, é hoje parte da identidade cultural da cidade. Nessa viagem entre o mundo real e a literatura ocorreram algumas participações especiais. No vocal, Santo Antônio do Salto, que cantou em coro o pout pourri das marchinhas, com direito a bis.  Teve também coreografia inédita em Engenheiro Corrêa. E imagine só, até o maestro virou platéia em Miguel Burnier.

Nem o frio – às vezes inconstante – desafinou o enredo. Marília Dorotéia arrancou risos em sua aparição, e foi digna de compaixão junto ao seu amado, quando sua trajetória, depois de muito tempo, resolveu contar. Ah! Filhos, netos e bisnetos, e por responsabilidade deles, essa história teve um final feliz.

E com uma delicadeza imponente, o projeto que tinha por intuito recontar Ouro Preto cumpriu seu papel. Igrejas cheias e estonteantes sorrisos deram ares de dever cumprido. E o que tem essa Orquestra de diferente das demais? “Ela vai onde povo está. O grupo que se apresentou no Palácio das Artes e em Liverpool, é mesmo grupo que apresentou em Olhos D’água, um município quilombola em Bocaiuva, com os violeiros daquela região. Ela sai dos grandes centros e cria plateias em diferentes lugares.” – foi o que me contou Guilherme Carvalho, representante da Petrobras.

E foi em Santa Rita, com alguns causos e várias melodias que a Orquestra Ouro Preto se despediu dos distritos em 2013. Ano que vem tem mais. Voltamos para uma visita, um café quente, um bolo e para mais uma edição da série Orquestra nos Distritos.

Série Orquestra nos Distritos

A Série Orquestra nos Distritos reúne apresentações nos 12 distritos do extenso município de Ouro Preto, visando a formação de público e a democratização do acesso à música clássica. Para tal fim, semestralmente, a Orquestra Ouro Preto tem encontro marcado com as comunidades distritais entre os meses de julho e dezembro.

 

Os concertos têm caráter artístico-pedagógico fundamentado na inserção cultural das comunidades dos distritos da cidade sede, resultado da parceria da Orquestra com a Prefeitura Municipal e a Câmara Municipal de Ouro Preto.

Texto: Lídia Ferreira

Foto: Naty Tôrres